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Palavra Pastoral

A igreja perseguida e a vida descartável

Pr. Renato Costa - 31/05/15

Dedicar um final de semana à reflexão quanto à realidade da perseguição religiosa ainda existente leva-nos a refletirmos também sobre a profundidade de nossa fé. Parece-nos indigesto admitir que numa época em que as distâncias são encurtadas, as capacidades de comunicação são alargadas, e o indivíduo é colocado como o centro em torno do qual a sociedade gira, trazendo, a partir disto, também uma maior conscientização social e governamental quanto à sua singularidade, individualidade e liberdade de escolha e de prática religiosa, enfim, é duro crer que, no século XXI, com a supervalorização dessas pretensas já comumente conhecidas, ainda haja perseguição humana motivada por questões religiosas. Mas, de fato há. Esse final de semana é dedicado também a conscientização dessa realidade. Aliás, o tempo em que vivemos é paradoxal. São correntes os discursos que defendem os direitos humanos, a valorização das peculiaridades culturais, enfim, o direito a viver e a manifestar vida. Paralelamente, no entanto, há um alargamento da desigualdade social, de guerras com pretensas imperiosas dos que as promulgam e tráfico humano, isto é, comércio ilegal, contrabando, roubo, furto, enfim, mercado de gente, gente como eu e você, por exemplo, a triste realidade enfrentada por aqueles que partem do norte da África em busca de novas possibilidades na Europa, ou do Haiti em direção ao Brasil. Aqui, cabe-nos perguntar: onde estão os direitos humanos? Onde está o valor da vida? Por trás de um discurso bonitinho dos mais ricos e dos que efetivamente podem fazer alguma coisa, se encontra um desconforto e uma inclinação inevitável ao descarte de vidas assim. São vidas descartáveis, pois se multiplicam! São problemas e, neste mundo, cada um com o seu, pois Deus deu a vida para cada um cuidar da sua! (Já li esta frase na janela de um carro!) Será? É assim que a Bíblia ensina? Certo que não!

Para poucos ou muitos, viver o cristianismo implica em perder algumas garantias: emprego, alimento, família e a vida. Dá para acreditar? Pessoas morrem porque lêem a Bíblia, é possível? Sim, é verdade!

Ainda que a realidade da perseguição seja desconhecida da igreja livre, como a igreja brasileira, bom é considerar a maneira como vivem esses cristãos, os perseguidos. Há um senso intrínseco de coletividade, de consciência eclesial, de interdependência, de cooperação mútua, de partilha de bens, e são poucos, entre eles. Uma busca pelos aspectos mais profundos da fé, uma urgência em multiplicar os discípulos, uma necessidade quase que insuportável de estarem juntos o máximo de tempo possível. A graça é suficiente e isto basta. Para a igreja livre, no entanto, cabe cuidar para não vender valores e princípios que distinguem a nossa fé ante os constantes apelos da sociedade livre que querem corrompê-los. Não transformar a igreja em espaço de encontro para entretenimento. Não configurar-se em torno dos pressupostos da sociedade de consumo: satisfação imediata e constante de desejos privados, apelo ininterrupto à variação e inovação das ofertas. Ora, a reunião eclesial tem como propósito promover a adoração ao Criador, bem como apresentar-lhe gratidão, petições e atenção aos seus santos mandamentos, e que assim seja para a glória de Deus!

Amada igreja, este final de semana é um convite à reflexão: quais são os valores desta fé? Para quem vivemos? De quê ou de quem se trata? Quando consideramos tudo isto, pensamos em Cristo, o Senhor da Igreja, aquela que dela cuida, aquele que conhece os que são seus e que nos ensina a conhecê-los pelos frutos. Logo, queremos segui-lo, pois, para Ele, não há vida descartável.

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