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Palavra Pastoral

“Paz que vence a culpa e que constrói caráter”

Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo (Romanos 5.1)

Pr. Renato Costa - 27/09/15

Nunca será fácil lidar com o sentimento de culpa. A dimensão social deste sentimento é bastante significativa, o que significa dizer que o meio em que vivemos sugere padrões de conduta e de estilos de vida, isto é, normas que, quando não seguidas a rigor, geram culpa nos supostos infratores. É o caso, por exemplo, do corpo perfeito, ideal, imposto pela nossa sociedade. Estar aquém deste modelo ideal imposto pela sociedade de consumo e legitimado pela mídia, sobretudo pelos atores midiáticos, a saber, personagens do universo majestático da fama que confirma o padrão imposto, enfim, estar fora deste padrão pode ser um enorme passo na direção da culpa, ainda que, na verdade, não haja com o que se culpar.

O sentimento de culpa é sutil. Há quem comete faltas, ou seja, desacorde do padrão estabelecido, e se sinta culpado por isso. Mas há também que comete faltas sem, no entanto, sentir-se culpado, bem como aqueles que não cometem faltas e mesmo assim se sentem culpados. Por isso, Paul Tournier, um psiquiatra suíço, cristão, entende haver um sentimento de culpa que é falso e um sentimento de culpa que é verdadeiro. O falso sentimento é aquele que é gerado quando se reconhece uma infidelidade para com valores e princípios próprios, que foram deixados de lado a fim de não provocar descontentamento naqueles com que se convive. É como ser indicado para exercer determinada função no trabalho e dizer “sim” pela força do grupo ou pela pressão imposta, ainda que no interior você reconheça não levar jeito e que, na verdade, jamais se voluntariaria a assumir aquela responsabilidade. Então, a culpa se manifesta protestando contra a sua atitude e reclamando direitos de autenticidade, isto é, a culpa de não ter sido sincero e honesto, primeiramente, consigo mesmo e, posteriormente, com todo o grupo que, apesar da pressão, também conta com a sua sinceridade.

Todos se sentem culpados, todos fazem julgamentos e todos procuram defender-se. Alguns lidam com a culpa sucumbindo à sua força, logo, a vida fica paralisada. Outros lidam com intermináveis justificativas sem, jamais, se responsabilizarem por seus próprios atos e escolhas. E outros também se livram do peso da culpa colocando-o sobre as costas de outros e esmagando-os conseqüentemente. Desta forma, conseguem desviar a atenção sobre si na medida em que apontam e expõem as faltas alheias. Um discurso bem moralista pode estar carregado desta estratégia bem articulada. Veja, por exemplo, o episódio em João 8. Uma mulher surpreendida em adultério é levada até Jesus pelos líderes religiosos da época que desejavam condená-la à morte sob apedrejamento. Questionaram e testaram a Jesus perguntando-lhe o que deveria ser feito, uma vez em que a Lei ordenava o apedrejamento em faltas assim. Jesus calmamente respondeu-lhes que aquele que não tivesse pecado fosse o primeiro a atirar a pedra. Um a um, então, todos se retiraram. À mulher ele disse: eu também não te condeno, vá em paz e não peques mais. Jesus não disse àquela mulher que ela não era culpada, conforme aquilo que a Lei exigia. Ele apenas a redimiu, pois ela se reconhecia culpada, e Ele também suscitou à consciência daqueles acusadores a culpa de cada um em a haverem julgado. Assim o Senhor fez e ainda faz conosco também. Ele nos redime, ou seja, nos dá a sua paz libertando-nos do peso esmagador da culpa quando nos reconhecemos carentes de seu perdão, e também traz à nossa consciência algum hábito que esteja comprometendo a construção de um caráter mais parecido com o caráter de Cristo, como, por exemplo, o hábito, por sinal, mal, de acusar atribuindo culpa, de julgar inocentes e de defender-se se esquivando da luz que quer expor as trevas que há em nós.

Pr. Renato Costa

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