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Palavra Pastoral

É bom agradecer, pois tudo que somos e temos é “graça”

Pr. Renato Costa - 29/11/15

O texto do evangelho de Lucas nos conta a respeito da cura de dez leprosos (Lc 17.11-19). O evangelista nos informa que, estando a caminho de Jerusalém, Jesus passou pela divisa entre Samaria e Galiléia quando, entrando em um povoado, à distância, dez leprosos gritavam para si rogando: Jesus, Mestre, tem piedade de nós! Ao vê-los, diz o texto, Jesus respondeu: Vão mostrar-se aos sacerdotes, e, enquanto iam, foram purificados. Ora, façamos uma pausa aqui! Sabemos que a condição de vida a que era submetido um acometido de lepra não era nada fácil. Por ser uma enfermidade altamente contagiosa, o indivíduo leproso era banido da sociedade, forçado a viver à distância, em vales conhecidos como “vales de leprosos”. Veja que no relato de Lucas acima, o texto nos diz que aqueles 10 homens estavam “à distância” quando chamaram a atenção de Jesus. Sim, pois tinham medo de aproximar-se. Fato é que em havendo a necessidade de se dirigir à cidade, um enfermo como este era obrigado a tocar um pequeno sino a fim de anunciar a sua chegada. Ao ouvir, os demais fugiam rapidamente ou se escondiam diante “ameaça”. Era muito comum também jogar pedras sobre leprosos. Para a sociedade judaica daquele tempo, rigorosa em seus preceitos e em sua interpretação literal da Lei, o leproso, assim como o cego de nascença, entre outros, eram vistos como pessoas que sofriam em suas vidas as conseqüências dos pecados de seus antepassados. Portanto, indivíduos amaldiçoados pelo próprio Deus no exercício de sua justiça. Algo semelhante acontece na sociedade de castas, na Índia contemporânea. Há uma compreensão cultural e social mútua, legitimada pelo sistema de crenças hindu, que encontra justificativa para o sofrimento relacionando-o com o pagamento de crimes, de erros, enfim, de faltas cometidas em vidas passadas. Sendo assim, ajudar um necessitado pode até vir a prejudicar-lhe, pois significaria uma interrupção num processo necessário, fundamental e divino para o seu aperfeiçoamento e purificação. Jesus, no entanto, interfere nesta equivocada convicção a respeito de seu Pai e manifesta graça na vida daqueles homens dando-lhes a cura. No entanto, dentre os dez, apenas um, ao perceber que estava curado, retorna para agradecer-lhe. E o faz louvando a Deus em alta voz, prostrando-se aos pés de Jesus e agradecendo-lhe muito. O texto acrescenta que este, este único que retornou, era samaritano. Sabemos que naquele tempo, os judeus não se davam com os samaritanos considerando-os uma raça impura. Porém, ressalta Lucas, foi exatamente este samaritano o único quem retornou para agradecer.

O que impedia o fruto da gratidão no coração dos outros nove que também haviam sido curados era a falsa convicção que tinham, de que eram mesmo dignos ou merecedores do favor divino. Em outras palavras, “de que Jesus não fazia mais do que a obrigação em ajudá-los, afinal de contas, eram do povo escolhido, prestavam-lhe culto, louvor, confiaram-lhe as vidas e até davam o dízimo!” Que falsa convicção! Será que não pensamos e agimos assim também e, sem perceber, barganhamos com Deus?

Tudo aquilo que somos e recebemos é graça de Deus, isto é, é favor divino em nosso favor. Deus concede os seus favores a nós, e apesar de nós, porque nos ama de maneira incomparável e incondicional dando provas deste amor na cruz. Sim, meus irmãos! O pecado nos separou de Deus, mas a morte de seu filho na cruz nos reaproximou de sua santíssima presença. Que grande presente! Que maravilhosa dádiva! O justo morrendo pelos injustos, o ofendido morrendo pelos ofensores, o Santo morrendo pelo profano! Tudo isto ao custo de uma vida, uma única vida, a dele mesmo e não a nossa. Por meio de Jesus, recebemos do Pai boas dádivas diariamente, como dons e talentos que nos capacitam a trabalhar, sol e chuva que rega a terra, e o fôlego da vida que nos permite viver. A gratidão é atenta, é fruto do reconhecimento de que nada merecemos, mas Deus nos dá tudo. É um sentimento que traz o louvor aos nossos lábios e que nos coloca de joelhos simplesmente agradecendo. Por que não fazer isto hoje? Por que não prestar atenção a tantas e tantas coisas boas que nos aconteceram neste ano e pelas quais precisamos ainda agradecer? Por que não ser hoje samaritano? Afinal, o pecado também não é uma lepra? Também não compromete a nossa vida? De cujas correntes não fomos libertos?

Pr. Renato Costa

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