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Palavra Pastoral

A grande lição dos pequeninos

Pr. Renato Costa - 23/10/16

Num livro chamado “A riqueza de muitos beneficia todos nós?”, o autor, sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, com discernimento preciso e sensibilidade aguçada, descreve a realidade da desigualdade social crescente em nossa sociedade contemporânea. Interessante é notar que ele começa o seu texto citando uma passagem do evangelho de Mateus, a saber, “pois àquele que tem, lhe será dado e lhe será dado em abundância, mas ao que não tem, o que tem lhe será tirado” (Mt 13.12). Segundo o autor, “o abismo crescente que separa os pobres e os sem perspectiva de abastados, otimistas, autoconfiantes e exuberantes – abismo cuja profundidade já excede a capacidade de todos, exceto dos mais fortes e inescrupulosos arrivistas – é uma razão óbvia para ficarmos gravemente preocupados” (p. 10). Ele segue dizendo ainda que “a riqueza combinada das cem pessoas mais ricas do mundo é quase duas vezes maior que aquela dos 2,5 bilhões de mais pobres” (p. 16). Além disso, “as pessoas na faixa do 1% mais rico da população mundial são quase 2 mil vezes mais ricas que aquelas na faixa dos 50% da faixa inferior na escala” (p. 16). Há ainda outros dados que, ao longo da obra, são pelo autor citados de modo a justificar a sua resposta à pergunta título do livro: “A riqueza de muitos beneficia todos nós?” Certamente não! A despeito dos avanços na ciência e do alargamento nas capacidades de comunicação (comunicação simultânea como as redes sociais), isto é, avanços que nos permitem tomar conhecimento acerca de duras realidades enfrentadas por um universo gigantesco de pessoas que sofrem em extrema miséria, que não desfrutam de saneamento básico adequado, serviço médico e educacional eficientes, entre outros recursos mínimos para que o viver numa sociedade apressada, estressada, ansiosa e, por todas estas razões, insegura também, seja possível, enfim, a despeito dos caprichos e prazeres de uma época farta em todos os sentidos, ainda assim, a régua que mede a desigualdade social só faz crescer cada vez mais. Como se não bastasse, o ser humano ainda rotula, isto é, busca razões que justifiquem as diferenças sociais localizando-as em supostas faltas por parte dos desfavorecidos: desinteresse por trabalho, por educação, entre outras, excluindo, desta forma, as pressões exercidas pelas circunstâncias nas quais estes se encontram e, é sabido, são determinantes. Em conseqüência, legamos aos governos as responsabilidades, como se Jesus não ensinasse políticas públicas a seus discípulos. Afastamo-nos também, afinal de contas, os desfavorecidos constituem ameaças, e selecionamos aqueles com quem vamos nos relacionar. No entanto, Jesus ensina a igualdade, um princípio inegociável e que deve se manifestar no seio de sua igreja e no dia a dia de cada cristão. E, de fato, são os pequeninos os protagonistas desta grande aula. Vejam os pequeninos! Não rotulam, não selecionam amiguinhos, não qualificam pessoas a partir de suas posses ou de sua profissão, antes, brincam juntos, sonham juntos, constroem projetos juntos e também partilham juntos, ainda que, às vezes, com um pouco de relutância, afinal, neles também se manifesta a natureza humana.

Neste dia especial e neste mês especial em que olhamos com atenção maior para os nossos pequeninos, por que não imitar-lhes alguns gestos, como o seu sorrir, o seu acolher e a igualdade que celebram juntos, como que vivendo num mundo à parte? Afinal de contas, o Reino dos céus não pertence aos que são semelhantes a eles?

Pr. Renato Costa

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